Revelado pelo São Paulo no final da década de 90, o lateral-esquerdo Fábio Aurélio atua no futebol europeu desde o ano 2000. Primeiro defendeu as cores do Valência, e hoje veste a camisa do Liverpool. Aliás, Fábio foi o primeiro brasileiro a jogar com a camisa dos “Reds”.
Aproveitando sua passagem pelo Reffis do Tricolor, onde se recupera de uma artroscopia no joelho esquerdo, conversei com o jogador.
Gostaria que você falasse primeiro sobre essa sua lesão, já tem alguma expectativa de quando poderá retornar para a Inglaterra?
“Foi um prolema na cartilagem do joelho esquerdo, um pequeno pedaço se soltou da cartilagem, ficou na articulação e isso bloqueava o joelho. A artroscopia foi feita para a retirada desde ‘pedaçinho’, também para uma reparação no joelho, e a prevoisão é de que em dois meses eu já possa estar pronto pra jogar”.
Qual a principal diferença entre atuar no futebol espanhol, que visivelmente é mais técnico, em relação ao inglês que tem mais pegada e velocidade?
“É diferente! Está sendo uma experiência muito válida, fui o primeiro brasileiro a jogar pelo Liverpool, isso gerou uma responsabilidade a mais, pois se eu rendesse o esperado, novos jogadores do Brasil poderiam chegar, o que realmente aconteceu, com a chegada do Lucas e do Diego [Cavalieri]. Mas a mudança, não só do Brasil para a Espanha, como da Espanha para a Inglaterra é visível. O aspecto físico, a velocidade do jogo, muitas vezes não tão técnico como na Espanha mas de muita força. Os jogadores tem pouco tempo para pensar. Porém isso tudo acaba te ajudando a crescer como jogador, são diferentes qualidades, diferentes modos de jogar, então considero como uma oportunidade muito legal, já estou indo pro meu quarto ano na Inglaterra, me considero totalmente adaptado a Premier League”.
Você considera a Premier League como o campeonato europeu mais disputado atualmente?
“Os resultados tem demonstrado isso, já que na Champions League, o campeonato que eles dão mais importância na Europa, os times ingleses tem ‘encabeçado’ a competição. Se falarmos de resultados, nos referimos aos times ingleses. É claro que todo ano as coisas podem mudar, mas a gente espera que a Premier continue forte como tem sido, mas sabemos que a Espanha, Itália são países que desejam se manter no topo do futebol europeu”.
Pra você que acompanhou de perto, porque o Felipão acabou não tendo êxito no Chelsea. O idioma foi um entrave muito grande?
“Talvez, ainda mais por se tratar da pessoa que tem de levar o time, expor suas idéias. Acho que ele ainda estava aprendendo o inglês naquele momento, então com certeza a comunicação tenha sido um dos obstáculos para ele. O Chelsea vinha de uma final de Champions League, tinha conquistado o vice na Premier, é um time que tem muita pressão, tem que estar sempre brigando pelas primeiras colocações, e o tempo que o Felipão esteve lá o Chelsea não andava muito bem. Um novo time, um novo campeonato, uma nova cultura, acredito que tudo isso em seis meses é muito difícil de você se adaptar tão rapidamente. Mas, a falta de paciência dos dirigentes também pesou para ele não ter a continuidade que os demais técnicos tiveram nos outros clubes grandes”.
A saída do Cristiano Ronaldo pode facilitar um pouco a vida não só do Liverpool, mas como também do Chelsea e Arsenal?
“Acredito que sim. Principalmente nas duas últimas campanhas do Manchester ele foi um jogador fundamental, decidiu inúmeros jogos a favor deles. Na temporada retrasada ele fez mais de 40 gols, nesta última ele fez mais de 20 na Premier, então esperamos que a saída de um atleta que era de suma importância no esquema do Manchester o faça sentir dificuldades, e com isso a gente possa tirar proveito da situação, e quebrar um jejum do Liverpool de 18 anos sem ganhar a Premier”.
Você vem de uma excelente temporada com o Liverpool, mas sem convocações para a Seleção. Na Copa das Confederações o Dunga chegou até a utilizar o Daniel Alves na lateral-esquerda. Isso te traz uma esperança de que a vaga de lateral ainda está em aberto na Seleção, e assim buscar uma convocação para a Copa?
“Esperança a gente sempre tem de vestir a camisa da Seleção, principalmente em época pré Copa do Mundo. A temporada passada ajudou muito para que eu pudesse ser lembrado outra vez, mas acho que o fundamental, e o que eu tenho em mente, é me preparar ao máximo, me recuperar plenamente desse pequena cirurgia, e assim realizar mais uma excelente temporada no Liverpool, pois considero como fundamental para ser lembrado, convocado e se isso acontecer agarrar a chance”.
Você tem mais quanto tempo de contrato com o Liverpool? Pensa em encerrar a carreira no São Paulo, já que foi o clube que o projetou internacionalmente?
“Tenho mais um ano de contrato, terminando ao final da temporada 2009/2010. Já estivemos conversando sobre renovação antes de sair de férias, por isso estão esperando eu voltar para retomarmos o assunto. Mas com certeza se eu fosse retornar ao Brasil, a idéia é vir para o São Paulo, seria uma oportunidade para agradecer, pois tenho o time como uma casa, que sempre me acolhe muito bem, mesmo não sendo um jogador do clube, exatamente como agora quando estou me tratando no Reffis. Acredito que as portas estão abertas aqui pra mim. Vamos ver o que o futuro nos trará”.